Na carta passada deixei-te uma pergunta: quanto peso deve ter a empresa que está no topo do meu modelo?
Esta semana trouxe uma boa razão para continuar a conversa — e várias boas notícias sobre as empresas que tenho.
A TSMC, que fabrica chips para outras empresas, incluindo os mais avançados, vendeu em setembro mais 54,6% do que um ano antes. A Samsung anunciou o maior lucro trimestral da sua história. E a OpenAI disse aos investidores que espera terminar o ano com uma receita anualizada de 70 mil milhões de dólares.
A procura por inteligência artificial continua a aparecer onde importa: nas contas.
Para quem chegou agora: o peso é a fatia da carteira que uma posição representa. Uma empresa com 6% pode influenciar o resultado mais do que outra com 2%, mesmo quando as duas têm boas perspetivas. Ter convicção numa empresa e decidir quanto dinheiro pôr nela são decisões relacionadas — mas cada uma tem as suas contas.
Leitura macro
O S&P 500 fez um novo máximo histórico logo no início da semana — o primeiro desde agosto — e fechou a sexta-feira nos 7.811,54 pontos. Subiu 1,2% na semana e 14,1% desde o início do ano.
Os juros continuam altos, e não vale a pena fingir o contrário. As atas da Reserva Federal, publicadas na quarta-feira, mostraram que a subida de setembro, para 3,75%–4,00%, foi unânime, e que a maioria admite mais uma até ao fim do ano. Ainda assim, a dívida americana a 10 anos terminou a semana nos 5,24%, um pouco abaixo dos 5,28% da sexta-feira anterior.
Na quinta-feira houve um susto. Uma notícia sobre a receita da OpenAI pôs em dúvida, durante umas horas, o ritmo de crescimento da inteligência artificial. Afinal, a diferença vinha sobretudo da forma de contar: a OpenAI não inclui as vendas feitas através das plataformas de nuvem dos parceiros; a Anthropic, com quem os investidores a estavam a comparar, inclui. Na sexta-feira, o mercado já estava a recuperar.
A lição que tiro é simples: antes de reagir a um número, vale a pena ler a nota de rodapé.
O movimento do modelo
No ano, a carteira soma +15,8% (dados da eToro, em dólares, até 9 de outubro). No mesmo período, o S&P 500 subiu 14,1%, sem contar dividendos.
Esta semana fiquei ligeiramente abaixo, com −0,86%. Os semicondutores fizeram uma pausa depois de um ano muito forte, e as plataformas — Microsoft, Amazon e Alphabet — compensaram parte.
Onde pus dinheiro: reforcei o RSPT, a Microsoft e a Apple, e fiz compras pequenas na Micron, na TSMC, na Comfort Systems, na Celestica e na Meta. Reduzi parte do EWP, o fundo de ações espanholas. Na carta passada tinha cerca de 2% de liquidez por aplicar; usei a maior parte nestas compras e fiquei com 0,65%, um pouco abaixo do meu intervalo de 1% a 1,5%, onde quero voltar a estar.
No modelo, a TSMC e a Micron continuam no topo, e a Comfort Systems — a empresa que instala os sistemas elétricos e de climatização dos centros de dados — mantém-se entre as cinco primeiras.
A notícia da semana é a Amazon. Entre as empresas da frente, foi a que mais subiu: o score agregado ganhou 34 pontos desde a leitura de 3 de outubro, e a Amazon entrou no grupo de maior convicção do modelo.
E há um sinal que me agrada: mais empresas a melhorar. Na carta passada, seis das 21 ações tinham subido no score agregado; esta semana foram nove. Ainda não é a carteira inteira, mas a direção é a certa.
Por dentro da carteira: a TSMC
A TSMC não desenha chips. Fabrica-os para quem os desenha. Foi fundada em 1987 por Morris Chang com uma ideia pouco comum na altura: ser a fábrica de toda a gente, sem competir com os próprios clientes.
Hoje, cerca de dois terços da receita vêm da computação de alto desempenho, onde entram os chips para inteligência artificial. No segundo trimestre vendeu 40,2 mil milhões de dólares, com uma margem bruta de 67,7% — de cada 100 dólares vendidos, ficaram perto de 68 depois do custo direto de fabricar. No trimestre, a operação gerou 783 mil milhões de dólares taiwaneses de caixa, e a empresa vai investir este ano entre 60 e 64 mil milhões de dólares em fábricas e equipamento.
A curiosidade: a TSMC publica as vendas todos os meses. Por isso, quando apresentar os resultados, na quinta-feira, a receita do trimestre já é conhecida: julho, agosto e setembro somam 1.494 mil milhões de dólares taiwaneses, mais 51% do que há um ano e acima do topo da previsão que a empresa deu em julho, à taxa de câmbio que ela própria assumiu.
Na quinta não vamos descobrir quanto vendeu. Vamos descobrir quanto lhe sobrou — e o que espera para o fim do ano.
A métrica que vou acompanhar: a margem bruta. A empresa previu entre 65% e 67%, um pouco abaixo do trimestre anterior, porque os chips de 2 nanómetros, a geração mais avançada, começam por custar margem antes de a darem. Se a margem ficar dentro do intervalo com as vendas acima do previsto, é uma boa notícia a dobrar.
O que me faria rever a tese: margens abaixo do intervalo sem que a nova geração de chips o explique, ou uma previsão para o quarto trimestre que mostre a procura a abrandar.
A TSMC vale 5,87% da minha carteira. É a segunda maior posição.
Um conceito: espaço para as boas ideias
O score diz-me onde estão as melhores ideias. O peso decide quanto espaço lhes dou. E esse espaço tem de servir duas coisas ao mesmo tempo: deixar as boas ideias trabalhar e deixar a carteira atravessar uma surpresa sem mudar de plano.
Tenho uma regra simples para isso: nenhuma posição passa de 7% do valor da carteira. Hoje, a maior é a NVIDIA, com 6,54%; a TSMC tem 5,87% e a Micron 5,51%.
Mas o espaço não se mede só empresa a empresa. Os meus quatro semicondutores — NVIDIA, TSMC, Micron e Broadcom — somam 21,6% da carteira. É a minha maior convicção temática, e por isso mesmo é a que mais cuido no tamanho: são empresas diferentes, mas costumam reagir às mesmas notícias. A quinta-feira mostrou-o bem.
Diversificar não é ter muitas empresas. É ter empresas que não dependem todas da mesma notícia. Na quinta-feira, enquanto os semicondutores faziam uma pausa, subiram a JPMorgan, a Apple, a Iberdrola, a GE e o ouro. É para isso que estão na carteira.
Se a pergunta da carta passada era quanto espaço merece a melhor ideia, a minha resposta é esta: o suficiente para fazer diferença quando corre bem, e não tanto que me obrigue a mudar de plano quando chega uma surpresa.
O gráfico

Receita da TSMC no terceiro trimestre: cerca de 990 mil milhões de dólares taiwaneses em 2025 e 1.494 mil milhões em 2026, acima do topo da previsão da empresa (1.427 a 1.466 mil milhões).
A TSMC já vendeu mais neste trimestre do que o topo da sua própria previsão. Na quinta-feira saberemos quanto disso chegou ao lucro.

As dez maiores posições da carteira, da NVIDIA (6,54%) à Microsoft (4,09%), todas abaixo do teto de 7% por posição. A azul, os três semicondutores do top 10.
As dez maiores posições da carteira e o meu teto de 7%. Há espaço para as melhores ideias — e uma linha que nenhuma passa.
Os scores da leitura de 3 de outubro, posição a posição, estão no scorecard de outubro.
O que vou acompanhar esta semana
Terça, 13/10, 12h00 (Lisboa) — JPMorgan. Como estão os clientes, os depósitos e o crédito. Vou olhar para a receita líquida de juros — o que o banco ganha com os ativos que rendem juros, depois de pagar o custo do seu financiamento — e para as provisões para crédito.
Quarta, 14/10, 13h30 — inflação de setembro nos EUA.
Quinta, 15/10, 07h00 — TSMC. Margens, capacidade e previsão para o fim do ano.
Juntas, a JPMorgan e a TSMC valem cerca de 9,9% da carteira.
Uma pergunta, e leio todas as respostas. Qual é a ideia em que mais acreditas na tua carteira — e quanto espaço lhe dás? Responde a este email. Se houver respostas que valham a pena, trago-as à próxima edição, sem nomes.
Até à próxima carta,
Santiago
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Esta newsletter é conteúdo educativo e metodológico. Não é aconselhamento financeiro, nem uma recomendação de compra ou de venda de qualquer instrumento. Escrevo sobre a minha própria carteira e sobre o modelo que uso para a ordenar, e tenho posições em praticamente todos os nomes mencionados. As prioridades descritas nesta carta não anunciam operações executadas. Os scores são o resultado de um processo quantitativo com regras fixas, aplicado a dados públicos: podem estar errados, os dados podem estar errados, e a metodologia pode mudar. Rendibilidades passadas não garantem rendibilidades futuras. Investir envolve risco de perda de capital. Toma as tuas próprias decisões, ou fala com alguém habilitado para as tomar contigo.
Fontes e dados: carteira, pesos e rentabilidade — eToro, em dólares, consulta de 11/10/2026; scores — modelo Santiago1000, atualização de 11/10/2026; TSMC, receita de setembro; TSMC, resultados trimestrais; Samsung, resultados preliminares do 3.º trimestre; OpenAI, previsão de receita; S&P 500 na semana; atas da Reserva Federal; taxas do Tesouro americano; JPMorgan, data dos resultados; calendário da inflação americana.