Esta é a primeira edição, por isso digo já o que vai encontrar aqui. E o que não vai.
Não vai encontrar sinais de compra ou de venda, nem recomendações ajustadas à sua situação, porque não conheço a sua situação. Vai encontrar o processo: o que o modelo leu, o que o modelo fez e porquê. Se isto soa pouco espectacular, é intencional. Disciplina raramente é entretenimento.
O formato é fixo e repete-se todas as semanas: uma leitura macro, um movimento do modelo, um conceito educativo e um gráfico. Quatro blocos, cinco minutos.
1. Leitura macro
A semana teve dois números que interessam e um terceiro que interessa mais do que parece.
O CPI de julho subiu 0,1% no mês e 3,4% em termos homólogos, abaixo dos 3,5% de junho. O núcleo ficou em 0,2% no mês e 2,5% no ano. É um registo dócil, e o mercado leu-o como tal: o S&P 500 fechou a semana a +0,4%, o Nasdaq a +0,1%, o Russell 2000 em máximo histórico e o VIX no valor mais baixo de 2026.
O terceiro número são as vendas a retalho: -0,6% em julho, a maior queda desde maio de 2025, contra uma expectativa de +0,1%. E o índice preliminar de confiança do consumidor da Universidade de Michigan para agosto caiu para 51,0 quando se esperavam 54,5.
Somando: a inflação ao consumidor arrefece, mas o produtor ainda corre a 4,7% homólogos e o consumidor está a gastar menos. A Fed mantém-se em 3,50%–3,75% e o mercado atribui cerca de 67% de probabilidade a que não mexa em setembro.
O que fez o modelo com tudo isto? Nada. E é esse, exactamente, o ponto do bloco seguinte.
2. O movimento do modelo
A carteira tem 25 posições, 84,2% em ações e 15,8% em ETFs. A maior posição individual pesa 6,51% e as cinco maiores somam cerca de 28,5% — dentro da banda de concentração para a qual o método foi construído. Liquidez: 0,05%.
O período médio de detenção é de cerca de onze meses e a pontuação média de risco dos últimos sete dias é 5. Nenhum dos dois números se moveu esta semana. É esse o ponto.
O que se moveu foi o ranking, não a carteira. No FIR — o score composto que ordena as 25 posições — a Rolls-Royce lidera com 87,7, seguida da TSMC (87,3), da Micron (85,9), da Comfort Systems (85,4) e da Leonardo (85,2). No fundo da tabela: Tesla (29,2), ouro (48,5) e Meta (53,2).
A tabela completa das 25 posições, com a classificação de cada uma e a metodologia por trás dos scores, está no scorecard. Atualiza-se todos os meses no mesmo endereço.
Repare na tensão. A maior posição da carteira em peso — a NVIDIA, com 6,51% — está a meio do ranking, em 15.º lugar. A Tesla, última do ranking, é a menor posição, com 1,44%. Uma destas duas coisas foi decidida por mim. A outra foi decidida pelo tempo. Voltaremos a isto numa próxima edição.
3. Um conceito: porque é que um score composto vale mais do que o seu melhor indicador
Este é o conceito da edição inaugural porque é o alicerce de tudo o resto.
Todo o indicador isolado tem um regime em que funciona bem e um regime em que falha. O momentum de preço funciona até virar. O valor funciona até a ação estar barata por boas razões. A qualidade contabilística funciona até o ciclo mudar. Quem escolhe um único indicador está, sem o dizer, a apostar num regime.
O AWS é a minha resposta a esse problema. É um score composto: agrega vários sinais independentes — fundamentais, técnicos, de qualidade contabilística e de revisão de estimativas — num único número comparável entre ativos. Não vou explicar aqui a fórmula. Vou explicar a lógica, que é o que importa.
A lógica é esta: se cada sinal tem ruído próprio e esses ruídos não estão correlacionados entre si, a agregação tem menos ruído do que qualquer sinal individual. O composto não fica melhor no seu melhor dia — fica menos mau nos piores. É a mesma razão pela qual se diversifica uma carteira, aplicada ao processo de decisão em vez de aos ativos.
Na carteira, o AWS médio é 121,7. No topo está a Rolls-Royce, com 195,9. No fundo, a Tesla, com -30,4. Um valor negativo não significa vender amanhã. Significa que, neste momento, nenhum dos sinais está a sustentar aquela posição — e que o tamanho dela deve reflectir isso. A Tesla pesa 1,44%.
O AWS entra depois num score maior, o FIR, onde vale 25%. Os outros 75% são o Twin Momentum (50%) e o G-Score (25%). O Twin Momentum não é invenção minha: vem de um trabalho de Huang, Zhang, Zhou e Zhu que mostra que combinar o momentum de preço com o momentum dos fundamentais produz um sinal superior à soma das duas partes. Fica para uma próxima edição.
Um score composto não me diz o que comprar. Diz-me onde posso estar errado com menor custo. É para isso que serve.
4. Um gráfico
Retornos mensais de 2026: +0,95% em janeiro, +2,26% em fevereiro, -6,75% em março, +14,97% em abril, +7,67% em maio, +1,26% em junho, -5,98% em julho e +3,18% até agora em agosto. No acumulado do ano: +17,06%.

Olhe para as barras vermelhas, não para o total. Dois dos oito meses foram negativos e um deles esteve perto de -7%. Se essa amplitude o incomoda, este método não é para si — e convém saber que em 2022 a carteira perdeu 32,67% num ano.
Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros. Nada nesta newsletter constitui recomendação de investimento nem aconselhamento financeiro personalizado. O conteúdo é educativo e metodológico.
Mesmos quatro blocos, mesmo dia, mesma hora, para a semana.